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Desarmando Narrativas: A Falácia da Tesoura Cega - Por Que Cortar o Estado Não Resolve as Contas


Quem acompanha o noticiário econômico desta semana percebeu logo o burburinho gerado pelo novo relatório de perspectivas globais do Banco Mundial, que ajustou a projeção de crescimento do Brasil para 2,1% em 2026 e acendeu o alerta sobre como os juros altos e o aperto nas contas freiam o país. Pegando carona nesse cenário de orçamento apertado, marcado pelo recente bloqueio de cerca de R$ 16,1 bilhões para cumprir as regras fiscais, o pessoal da extrema direita voltou a bater na mesma tecla de sempre, dizendo que a tábua de salvação seria cortar serviços essenciais e passar a faca nos investimentos públicos. Vestindo a fantasia de defensores da pureza das contas, esse discurso ultraliberal ignora de propósito os números de verdade para tentar empurrar uma agenda de desmonte estatal que só interessa a quem quer lucrar com o caos.

Olhando para a questão por um ângulo puramente técnico, essa promessa de passar a tesoura em tudo desconsidera completamente a forma como o multiplicador fiscal funciona na vida real, principalmente em países em desenvolvimento onde o Estado segura as pontas na infraestrutura e no capital humano. A gente vê pelos dados recentes de execução do orçamento que tirar dinheiro à força de áreas como saúde preventiva e saneamento não resolve o buraco da dívida pública; pelo contrário, o tiro sai pela culatra porque esfria a economia, destrói a base de arrecadação de impostos e faz a relação entre dívida e PIB piorar ainda mais. Gestão fiscal séria não se faz com cortes cegos que paralisam o país, mas sim gastando melhor, cortando privilégios de verdade e tendo inteligência na administração dos recursos.

No fim das contas, transformar o Estado em um fantasma ausente só serve para destruir a coesão social e a segurança jurídica que o próprio mercado diz que tanto quer para investir sem medo. Ninguém constrói um país competitivo estrangulando a rede de proteção dos mais fracos ou precarizando a base da sociedade, mas sim juntando rigor nas contas com investimento estratégico de verdade, daqueles que geram valor para todo mundo. Fechar os olhos para essa realidade que está documentada em relatórios internacionais e dados oficiais é bater na mesma tecla de um erro dogmático que a história da economia já provou estar totalmente errado.


Fontes e Referências Utilizadas

Banco Mundial (World Bank) – Relatório de perspectivas econômicas globais com análises sobre o crescimento do PIB brasileiro, restrições fiscais e juros reais (outubro de 2026). Disponível em: https://www.bancomundial.org/

Secretaria do Tesouro Nacional / Ministério da Fazenda – Dados oficiais de avaliação de receitas e despesas primárias detalhando o contingenciamento orçamentário e metas fiscais (2026). Disponível em: https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br e https://www.gov.br/fazenda/

Agência Brasil – Coberturas técnicas e noticiário oficial sobre o comportamento da atividade econômica brasileira e projeções do Prisma Fiscal (outubro de 2026). Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

Valor Econômico – Análises econômicas e cobertura de mercado sobre o aperto monetário e as contas públicas no Brasil (outubro de 2026). Disponível em: https://valor.globo.com/


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